Cheguei ao hospital, preenchi meu formulário e sentei em frente a sala em que seria atendido. Minha vontade era: ser prontamente atendido e remediado com algo que me fizesse ficar melhor, mas as pessoas que possuíam prioridade no atendimento diziam que eu deveria esperar.
Hospitais, para mim, nunca foram o mais prazeroso lugar de reflexão. Eles me fazem refletir em uma fraqueza e um fim. o discurso de ser o homem a medida de todas as coisas desmorona ante a fragilidade de sua vida. Por esse motivo, talvez seja cômodo a alguns acreditarem na vida imediata após a morte.
Lembrei das infortunas vezes que fui a hospitais sem ter a certeza do que aconteceria. Apreensões, incertezas, medo e uma esperança que era confrontada com a realidade do ambiente. Desde pequeno tenho aversão tanto ao local quanto as profissões que se aplicam a ele. sempre admirei, mas nunca ousei transformar tal local em meu cotidiano de trabalho, local onde vida e morte estabelecem seus limites.
Minha reflexão foi brutalmente interrompida por um grito e uma cena. Um garoto ensangüentado cruza o corredor do hospital em uma maca. Logo atrás, sua mãe está desesperada em prantos. O garoto entra na sala de cirurgia enquanto sua mãe parece fazer uma prece em meio aos prantos para que o seu filho ficasse bem.
Por um momento esqueci o motivo que havia me levado aquele local e tornei tal cena o foco de minha atenção. A situação parecia rodar em câmera lenta. A mãe fazendo sua prece em meio a lagrimas, minha imaginação deduzindo o que ocorria dentro da sala de cirurgia e se ela o teria ou não com vida em seus braços.
A mãe olhava para as coisas de seus filho como se lembrasse de momentos em que ele estava bem. Sua expressão e seu olhar distante pareciam levá-la para uma situação mais esperançosa, onde possivelmente seu filho estaria bem e ela o teria sem medo de perde-lo. Diferente de onde ela estava sendo levada, sua segurança de ficar com seu filho era confrontada agora. Seus olhos não pareciam distante por ser levada a um lugar seguro, mas por ser tomada de inseguranças.
Um médico cruza o corredor até ela, aumentando ainda mais a sua apreensão. Ele começa a falar e consigo ouvir suas palavras através da face daquela mãe. A certeza mais temida se torna realidade, ela não teria seu filho com vida em seus braços. Minha ida ao hospital se transformou em reflexão.
A duração da vida de você é tão incerta quanto a neblina do amanhecer; agora se vê, mas logo se esvai! tiago 4.14
Uma noite, uma cena, uma perda. demasiadamente humanos, somos a medida de nossa própria fragilidade; nosso maior temor.
Fonte: www.benschwantes.com





Bom mesmo!
Gosto de ler seus artigos, são muito interessantes e obrigado pela reflexão.
lamentavelmente morremos, que pena, essa é sem duvida a pior das conseguencia do pecado, mais pode ser pior ainda se morrermos sem cristo.